quinta-feira, 10 de abril de 2008

Cego folgado

Não tenho costume de ajudar cegos no metrô, não por ser cuzão, mas é que sempre alguém vai na minha frente. Hoje eu tomei a frente de alguém e ajudei um ceguinho, bem folgado por sinal. Na linha verde do metrô, entrou na estação consolação, um deficiente visual, com a ajuda daquelas mocinhas que trabalham no metrô. A mocinha, quase o jogou pra dentrô do vagão, pois apitou a sirene, ou seja, ia fechar a porta.

O senhor, com um olho bem medonho, torto e bem claro, estava bem sujo e fedido, e com uma daquelas bengalas. Bem na hora que entrou, o trem saiu, e ele se equilibrando, tentava achar o ferro nojento para se apoiar, enquanto eu pensei, putz, esse cara vai cair e a situação vai piorar. Já que ninguém ia ajudar o coitado, andei um pouco pra frente e o ajudei se apoiar no ferro, enquanto as outras pessoas mobilizadas davam um jeito de arrumar um lugar pro senhor sentar, porque no banco preferencial já havia sentado um outro senhor bem velhinho. Até que o outro senhor bem velhinho trocou de lugar com uma mulher nova, cedendo o assento preferencial para o ceguinho.

O ceguinho que já tinha encostado na parede e se firmado na barra de ferro, deveria estar imaginando que não tinha lugar pra ele sentar, e então eu peguei no braço dele de novo e falei, vamo lá senhor, tem um lugar pra você sentar, e ele resmungou algo que não entendi, e pensei que ele não tinha ouvido, ou seja, além de cego, surdo. Repeti o que tinha dito, não em tom mais alto, porque cegos odeiam que você fale mais alto, porque eles pensam, porra, que cara burro, eu sou cego e não surdo:

- Senhor, tem uma cadeira pra você.

e ele respondeu bravo em "alto e bom som."

- Tá bom aquiiiiiiii.


Não hesitei em dizer: Se enxerga, mano! É brincadeira essa última frase seus bobos