quinta-feira, 22 de maio de 2008

Interessantíssimo!

Como qualquer não-alienado sabe, o Brasil está em processo de mudança no Ministério do Meio Ambiente. Com a saída da Ministra Marina Silva, que aparecia só de vez em quando na tv, e pouco era falada, o novo comandante da flora e fauna brasileira é o Sr. Carlos Minc.
Ecologistas e afins, afirmaram que a saída de Silva foi pelo fato dela não conseguir atingir o plano de metas dela, afinal, para questões econômicas de carvoeiros e madeireiros, ela era uma pedra no sapato. Aí de tudo que ela tentava, tinha alguém pra passar por cima. Afinal, meio ambiente não dá dinheiro. Pelo contrário. "Trava" a economia.
Pesquisando e tentando me informar sobre o assunto, caí num texto muuuito interessante, um tanto extenso, mas brilhante.
Infelizmente não encontrei a assinatura do jornalista, que é especializado em ciências, mas é da Superinteressante de julho / 2001. É um tanto extenso, mas não me envergonhem.
O texto é sobre:



E se... A Amazônia fosse território americano?

Se a Amazônia fosse território americano, ela receberia do governo uma proteção muito mais intensa contra exploradores, já que esta seria gerida como reserva de recursos naturais para o futuro.

Se tomássemos como exemplo a conquista do Oeste americano, a Amazônia seria hoje uma região de tribos dizimadas, que teriam dado lugar, primeiro, a fazendas de gado e estradas de ferro e, depois, a grandes cidades. Isso sem falar numa indústria cinematográfica gigante e centenas de filmes justamente sobre essa ocupação. Que cenário de pesadelo, hein?! Mas é muito pouco provável que à exceção do extermínio dos povos indígenas essa história se repetisse. Ninguém duvida que a floresta tropical é um obstáculo bem mais difícil de vencer do que as pradarias do Velho Oeste.

Ocupar o Noroeste brasileiro nunca foi tarefa fácil. Fatores como tribos isoladas, o clima equatorial de calor sufocante e chuva torrencial, o solo pobre para a agricultura e a densidade da mata impediriam a exploração e a fixação dos americanos na floresta, diz o geógrafo Messias Modesto dos Passos, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Presidente Prudente. Já houve tentativas anteriores de exploração mais intensa na Amazônia, mas todas elas fracassaram. A Capemi, por exemplo, aquela empresa de pecúlio dos militares que foi à falência, quis montar uma serraria nos mesmos moldes das que existem na Indonésia, mas teve que desistir devido às chuvas.

Assim, fica mais difícil imaginar a maior floresta do mundo devastada por metrópoles, indústrias, aeroportos e rodovias. O mais provável é que a exploração da região não fosse muito diferente da que é feita hoje pelos países amazônicos: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. Os historiadores lembram que, em séculos passados, exploradores internacionais estiveram na região e, na volta a seus países de origem, relataram as condições adversas da floresta que os próprios conquistadores espanhóis chamavam de inferno verde. Isso, com certeza, levou muitos eventuais interessados a desistir de uma ocupação mais intensa.

Não que o resto do planeta tenha perdido interesse nos tesouros amazônicos, muito pelo contrário. Nas mãos dos americanos, a selva provavelmente seria gerida como reserva estratégica de recursos naturais para o futuro, afirma o engenheiro agrônomo Eron Bezerra, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Não podemos esquecer que é na Amazônia que estão as maiores reservas mundiais de ferro, de nióbio (metal cada vez mais usado nas ligas de aço e na indústria eletrônica) e de mata virgem, mais 20% de toda a água doce do planeta e seu conseqüente potencial energético. Sem falar na sua imensa biodiversidade, onde pode estar repousando a solução farmacológica para inúmeros males aos quais a humanidade está submetida. A região seria mais um dos instrumentos de que os Estados Unidos disporiam para manter sua posição de hegemonia no planeta, diz Eron.

Outro cenário possível seria a exploração econômica concentrada em pontos isolados em especial, áreas ricas em minério, petróleo e gás natural. Nesses locais, seria montada toda uma infra-estrutura com estradas, ferrovias, portos e cidades, como, aliás, já vem acontecendo ao longo dos tempos, afirma o geógrafo Messias. Construídos por americanos, esses pontos de exploração seriam maiores e mais avançados tecnologicamente, mas não o suficiente para mudar a fisionomia da região. Talvez o inglês fosse a língua oficial e o dólar, a moeda corrente. Mas nada impediria que o espanhol e o português predominassem em algumas regiões, nem que as moedas desses países também valessem.

Tudo indica, porém, que com um manancial tão rico de recursos naturais em jogo a floresta receberia do governo americano uma proteção muito mais intensa contra exploradores predatórios, sejam as madeireiras seja a biopirataria. É lógico que isso aconteceria, inclusive com a presença maciça de forças militares, diz Messias. Aí está, enfim, o supremo pesadelo: a hipótese de que nosso maior tesouro seria melhor preservado por estrangeiros bem mais ricos e armados até os dentes. Socorro!




Assustador.