quinta-feira, 10 de julho de 2008

Mamonas Assassinas

Hoje passou na Rede Globo, um bom programa sobre os Mamonas Assassinas. Belo trabalho da emissora, que mesmo com seus podres, faz, mais uma vez, jus ao primeiro lugar de audiência na TV aberta.


Não pude deixar passar, e resolvi fazer esse post para comentar algumas coisas inexplicáveis e inesquecíveis desse mito da música nacional.

Algumas bandas realmente são muito ovacionadas pelo mundo afora e até mesmo no Brasil, mas poucas delas realmente merecem toda essa atenção. Mamonas, no meu chato gosto musical, mereceu. O mais engraçado pra mim e pra muitos que conheço, é que na época, eu gostava como criança que acompanha o que agrada no momento. Mas até hoje, ainda gosto musicalmente. Vejo que os caras eram bons, com boas sacadas musicalmente, nas letras, nas piadas, no jeito, no carisma.

Numa conversa de bar, rodinha de amigos, bate-papo prático, é comum alguém lançar o famoso "onde você estava quando tal fato ocorreu". A final da copa de 1970, a batalha dos aflitos, a morte fatídica de Ayrton Senna, o falecimento de Tancredo ou o dia em que o Homem foi à lua. Até hoje tenho a imagem da minha mãe me acordando, mais ou menos as 7 da manhã, e eu, sempre puto ao ser acordado, não entendendo direito.

Levantei, vejo a TV ligada e aquela imagem que todos lembram muito bem, do avião espatifado, ali, no "plantão" da Globo. Lembro que, pela idade, não entendia muito bem as coisas, brinquei o dia todo normalmente, comi, joguei bola, conversei com meus primos, tudo nos conformes. Mas acho que pela primeira vez na vida, senti tristeza. Essas tristezas de gente grande mesmo. O dia passou e como se fosse hoje, me recordo de ter chorado no banheiro, sentindo um vazio. Chorei tomando banho, sempre tentando esconder e disfarçar de todo mundo. O plano de ir no show, tirar uma foto com o Dinho e com o Julio Rasec (gostava muito do julio sei lá porque), cantar vira-vira e mundo animal havia ido pelos ares. Uma das frustrações pessoais que vou levar pra vida inteira. Faz parte.

Dentro das minhas preferências doidas, considero algumas unânimes: Chaves, Beatles, chocolate e os Mamonas. É com certeza também, unânime entre os leitores (com mais de 16 anos) desse blog, terem respondido uma vez (ou mais) na vida, onde estavam no dia 2 de março de 1996.

Foram unânimes em todas as idades. Os pais, quiçá, gostavam mais que os filhos, que cantavam tudo sem entender. Que banda popularizou 100% das músicas de seu CD? Tirando "débil metal", qualquer pessoa viva em 1995, sabia cantar música por música do CD. Não sei, às vezes parece que foi coisa do destino. Fizeram o que tinham que fazer, e morreram, logo depois do último show da tour. Vale à pena até dizer uma besteira e comentar que abraçamos a causa pela falta que o tal "Senna" fazia. Ambos alegravam nossos domingos. Um com o galvão, outro com o faustão. Ambos eram corintianos alegres, exemplo de perseverança e dedicação.


O que ainda me intriga é pensar que até hoje, 12 anos depois do acidente, ainda comovem como se estivessem vivos. Quem nunca cantou mamonas em excursões de escola? Ou numa rodinha de violão? Quem não foi atrás de shows ao vivo da banda?

A velha máxima do "morreu no auge", funciona perfeitamente nesse caso. Hoje mesmo, assistindo o programa com a minha irmã de 7 anos e um primo de 9, me impressionei. Primeiro porque os dois menores me convidaram pra assistir, empolgados. Depois, que assistiam felizes como se fosse "backyardigans", e sabe-se lá como, cantavam tudo que tocava.

Talvez seja carência, com tantos créus por aí.


ps: sou eu com a minha fantasia de coelho, usada em carnavais e aniversários. Hahahah. Já usada num post de páscoa.