segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Paulo Sant'Ana na ZH de hoje

Terminou ontem um campeonato nacional malcheiroso.

Na última rodada, segundo manifestação da própria CBF, havia uma manipulação armada para garantir resultado no jogo entre Goiás e São Paulo.

Em síntese, o São Paulo tomou todas as providências para ser campeão. O alvo era o árbitro Wagner Tardelli e foi atingido no âmago.

Não foi a CBF que constatou a manipulação. Foi a Federação Paulista. Embora não tenha sido esclarecida a manipulação, do episódio brotaram as evidências de que a urdidura partiu do São Paulo.

Como tanto adverti no rádio e na televisão e uma vez nesta coluna, a troca de mando de campo do jogo do Goiás contra o São Paulo foi imoral.

Obrigou-se o Goiás a jogar em Brasília, onde ontem 95% da torcida era favorável ao São Paulo. Uma vergonha!

Nunca vi uma troca de mando de campo prejudicar um terceiro, no caso o Grêmio, e favorecer vergonhosamente um segundo, no caso o São Paulo. Sem punir o faltoso, o Goiás.

Uma vergonha.

Caiu do céu para o São Paulo o jogo marcado para Brasília: nas duas últimas rodadas, o time paulistano jogou em “sua” casa, no Morumbi e, ontem, no estádio do Gama. A troca foi feita para garantir ao São Paulo dois locais propícios para sua festa.

Onde estão a igualdade e o equilíbrio do campeonato?

Outro absurdo: ao constatar, por notícia do Ministério Público e da Federação Paulista, que tinha havido manipulação de resultado na rodada final, junto ao árbitro, a CBF trocou o juiz e não trocou os bandeirinhas escalados.

Se a arbitragem tinha sido manipulada, os bandeirinhas pertencem à arbitragem. Então, como é que a CBF não trocou os bandeirinhas?

Uma vergonha.

Essa manipulação do resultado do jogo de Brasília leva o universo dos torcedores de futebol a uma desilusão.

Não foi a CBF que flagrou a manipulação, a manobra criminosa de manipulação do resultado foi levada a efeito com a CBF completamente desinformada da contaminação de seu árbitro.

E aí surge a pergunta: quantos outros resultados foram manipulados? Quantos?

Até quando vai prosseguir a barganha de jogos manipulados junto às arbitragens?

Corre uma baba cloacal sobre as arbitragens brasileiras.

A aparência é sempre de moralidade. Mas, por baixo da superfície, corre um mar de lama, clubes do Rio e de São Paulo fazem o que bem querem dos resultados, em desfavor dos otários clubes provincianos.

Isso precisa acabar. Embora, como se vê, isso nunca vá acabar.

Campeonato roubado pelo São Paulo. Tanto pelo gol anulado do Botafogo, no jogo contra o São Paulo, quanto ontem pelo vergonhoso gol de impedimento do São Paulo sobre o Goiás, que decretou o título de bandeja para o poderio financeiro do São Paulo, que manipula a seu bel-prazer as arbitragens.

Assim é desanimador torcer por futebol. Constatar-se que os resultados são mudados ao sabor de negociatas, a maioria delas de tal subterraneidade que nem de longe são percebidas pelas torcidas e pela imprensa, constitui-se numa tragédia incomparável para o esporte.

O São Paulo tinha de ser o campeão. Precaveu-se contra qualquer azar ou demérito fora do campo.

Tristemente decreta-se num lodaçal que o campeão é o que tem mais dinheiro e pode comprar quem ele bem quiser.